Esclerose Múltipla

 

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  O que é a esclerose múltipla?

A EM no nosso organismo

Tipos de EM

Causas da EM

Quem contrai a esclerose múltipla

Tratamento

Conclusão

 

 

O que é a Esclerose Múltipla?

 

 

 

                 No organismo, o sistema nervoso central (SNC) – constituído pelo cérebro e espinal medula - actua como um centro de comando, controlando os movimentos musculares e reunindo e interpretando informação sensorial que vem do sistema nervoso periférico (SNP) – i.e. neurónios sensoriais e motores (figura 1). Os neurónios permitem que as diferentes partes do organismo comuniquem.
Por exemplo:
          • Ao pegar numa caneca quente, os nervos periféricos sentem o calor e informam o SNC
          • O SNC decide deixar a caneca arrefecer
          • Os nervos periféricos informam os músculos do braço para pousar a caneca

F

 

 

 

       Os impulsos eléctricos são transmitidos ao longo dos neurónios, permitindo que o cérebro comunique
com diferentes partes do nosso corpo (figura 2).
       O sistema nervoso pode ser testado através de vários reflexos automáticos. Os reflexos podem, por
exemplo, ser testados através de pancadas ligeiras com um martelo de reflexos no joelho ou cotovelo.
       A função reflexa pode ajudar a identificar alterações neurológicas.

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Importância da mielina


        No cérebro e na espinal medula, as fibras nervosas estão envolvidas por uma camada isolante externa-uma bainha protectora denominada mielina - necessária para acelerar a transmissão dos sinais eléctricos. Graças a esta camada gorda, os impulsos podem saltar de um nódulo (interrupções da bainha de mielina), para o outro, permitindo a transmissão rápida das mensagens (corrente saltatória) (figura 3a).

 

 

 

 

Perca de mielina e suas consequências


       Na EM, a bainha de mielina é alterada através de processos inflamatórios. Tais reacções inflamatórias
não atacam apenas a mielina, mas também os oligodendrócitos (células encarregues de produzir e manter a bainha de mielina dos axónios no SNC). Geralmente na EM, o local da inflamação pode ser facilmente detectado através da RMN (ressonância magnética nuclear) do cérebro.
 

Das lesões…
 

     Quando a mielina é “comida” pelos macrófagos, os axónios ficam despidos. No entanto, os axónios despidos, i.e. desmielinizados, não conduzem os impulsos eléctricos eficientemente.
Quando as fibras nervosas ficam desmielinizadas, podem começar a provocar “curtos circuitos” ou
falhar na transmissão dos sinais no sistema nervoso. Portanto, quando a bainha de mielina é atacada, os impulsos tornam-se mais lentos. As mensagens então têm de ser passadas ao longo do comprimento total das fibras nervosas, o que é muito mais lento do que se os impulsos pudessem saltar de nódulo em nódulo. A transmissão é atrasada ou mesmo bloqueada (figura 3b).

 

 

    

 

 

 

        Quando a inflamação se reduz, os mecanismos de reparação são activados, resultando por vezes na
remielinização (restauração da mielina que foi lesada, ver figura 4). Este ciclo de lesão e recuperação pode ocorrer vezes sem conta nos neurónios do SNC. Quando a inflamação afecta uma grande região, ocorre a formação de cicatrizes, que são designadas por placas e que também podem ser detectadas através de RMN. Se a inflamação ocorrer repetidamente no mesmo local, os processos de reparação podem não ser capazes de manter a restauração, resultando em lesão permanente nestes neurónios. Portanto, nos doentes com EM, ocorrem quer a desmielinização como a remielinização. A área do cérebro ou espinal medula afectada por estas lesões determina quais os sintomas que a pessoa irá sentir.

 

      …aos sintomas


Os sintomas da EM dependem da localização da desmielinização no cérebro e espinal medula. Podem variar muito entre indivíduos e são difíceis de prever. Muitas funções do corpo podem ser afectadas. Alguns
doentes com EM não têm quaisquer sintomas durante um longo período de tempo. Pode acontecer que, e
apesar das lesões em certos neurónios, o cérebro seja capaz de compensar ao re-encaminhar os impulsos
nervosos por vias nervosas alternativas. Noutros casos, existe uma ligação entre as regiões afectadas e a probabilidade dos sintomas aparecerem. É portanto importante lembrar que a maioria das pessoas apenas sofrerá alguns dos sintomas comuns da EM.

 

Os sintomas comuns nos doentes com EM incluem:


       Sensações anormais – alguns doentes com EM apresentam sensações estranhas, tais como frio,
dormência, formigueiros ou comichão
       Alterações da visão - tais como visão dupla ou mesmo perda acentuada da visão de um dos olhos
       Fadiga - um dos sintomas mais comuns na EM. Um cansaço contínuo que não se correlaciona
com os níveis de incapacidade neurológica ou lesões de RMN, mas que está associado à depressão
       Disfunções motoras - tais como rigidez, fraqueza, perca de força muscular e espasticidade dos membros
        Problemas de equilíbrio - dificuldade em andar ou tremor
        Alterações urinárias e intestinais - tais como retenção urinária e obstipação
Problemas sexuais - tais como impotência ou perca da sensibilidade
        Dor - embora não seja dos sintomas mais comuns, é incomodativa. Pode variar desde uma dor facial súbita e intensa até uma sensação de queimadura, dormência ou formigueiro nos membros.
        Estes sintomas podem conduzir a depressão. Esta não é incomum na EM.

 

A maioria destes problemas podem ser reduzidos através de terapêuticas que podem ser medicamentosas ou não. Deverá contactar o seu médico que o poderá aconselhar acerca da melhor terapêutica possível para a sua situação particular. Alguns sintomas ocorrem frequentemente, enquanto que outros apenas aparecem raramente. No entanto, mesmo quando uma pessoa não tem quaisquer sintomas, a EM pode estar “silenciosamente” activa.

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A esclerose múltipla no nosso organismo

 

 

     A EM afecta a matéria branca do cérebro e/ou da espinal medula. A EM não é contagiosa, e não leva
obrigatoriamente a que todos os portadores fiquem dependentes da cadeira de rodas.
O grau de incapacidade da EM pode aumentar ao longo do tempo, no entanto a evolução da doença e os
sintomas variam consideravelmente de uma pessoa para a outra. Portanto, é importante diagnosticar a EM o mais precocemente possível.
 

Após 25 anos, mesmo sem tratamento, a maioria
dos doentes com EM não usa cadeira de rodas.

 

EM – O papel do sistema imunitário


       Geralmente, o mecanismo de defesa do organismo (sistema imunitário) protege-nos das infecções de todosos tipos. As reacções inflamatórias ocorrem quando o sistema imunitário ataca germes estranhos, como bactérias, vírus, parasitas ou fungos. Os glóbulos brancos – incluindo células imunitárias específicas e os “macrófagos” activados – servem como soldados da linha da frente do sistema imunitário. A defesa
contra os intrusos é coordenada pelas chamadas "células-T" – componentes essenciais do sistema imunitário. Em situações raras, no entanto, como nas doenças auto-imunes (o prefixo “auto” significa “próprio”), as células normais do nosso corpo podem ser confundidas e vistas como “intrusos”. A células-T, por razões desconhecidas, atacam as nossas próprias células nervosas. Isto ocorre nos doentes com EM, que também é considerada uma doença auto-imune. A EM é apenas uma de muitas doenças auto-imunes. Existem outras como a doença de Crohn, a psoríase ou a artrite reumatóide.

 

Os “bons” transformam-se em “maus”


A partir do momento em que a barreira hemato-0encefálica é atacada nas fases agudas da EM, as células
do sistema imunitário podem entrar no cérebro e por engano, tal como em todas as doenças auto-imunes,
atacar o nosso próprio tecido. Portanto, os “bons” transformam-se em “maus”, porque confundem os seus
amigos (próprio tecido) como inimigos. Estes ataques causam lesões na bainha de mielina, que é "comida" pelos macrófagos (figura 5.) O ataque pelos macrófagos é um dos diversos mecanismos pelos quais a mielina é lesada. Após a mielina ser lesada, as mensagens não são transportadas ao longo dos nervos tão rapidamente quanto antes. A bainha de mielina é o alvo principal na EM. Primeiro, a mielina é
atacada, depois os axónios despidos são lesados, surgindo os sintomas.


 

Tipos de esclerose múltipla

A esclerose múltipla pode variar consideravelmente entre indivíduos, uma vez que ataca o sistema nervoso em diferentes locais. Na maioria dos casos, os sintomas na fase inicial da doença ocorrem de maneira abrupta em períodos transitórios sem uma causa reconhecida. A ocorrência súbita dos sintomas ou um agravamento dos mesmos é conhecido como um surto (natureza
recorrente desta doença). Os sintomas melhoram após alguns dias ou semanas. Isto é conhecido como remissão. Com o tempo poderá ocorrer uma recuperação completa ou parcial. No entanto, por vezes, os sintomas ou a perca de uma função podem permanecer permanentemente, mesmo
em remissão. A reabilitação contínua, treino físico e mental irão ajudá-lo a recuperar o máximo possível dessa perda de função.
 

São conhecidas quatro formas diferentes de EM
• Esclerose múltipla recorrente-remitente (EMRR)
• Esclerose múltipla secundária progressiva (EMSP)
• Esclerose múltipla primária progressiva (EMPP)
• Esclerose múltipla benigna
 

A EM nunca dorme, no entanto, podem existir períodos de menor actividade


A forma de EM recorrente-remitente é o tipo mais comum, afectando cerca de 80% dos doentes.
Na fase inicial, os sintomas podem desaparecer, por vezes mesmo durante vários anos. Mas os surtos
são imprevisíveis e os sintomas podem surgir em qualquer altura.
Podem ocorrer repentinamente sintomas novos ou pré-existentes, durar alguns dias ou semanas e
desaparecer novamente. No intervalo entre os surtos, parece não existir qualquer progressão da EM.

A EM secundária progressiva pode seguir-se à fase recorrente-remitente da doença e é olhada como uma forma mais avançada de EM. Cerca de 40% dos doentes com esclerose múltipla recorrente-remitente podem desenvolver a forma secundária progressiva. A EMSP é marcada por uma progressão contínua com ou sem surtos ocasionais, remissões breves e períodos estacionários.

A EM primária progressiva é rara e afecta apenas cerca de 10% de todos os doentes com EM. A progressão é contínua desde o início. Os sintomas agravam-se progressivamente e a incapacidade aumenta gradualmente. Não existem períodos de surtos e de remissões, apenas períodos estacionários ocasionais e melhorias ligeiras temporárias.

A EM benigna é caracterizada, tal como o nome sugere, por um surto inicial e possivelmente apenas um surto adicional e recuperação total entre estes episódios. Podem passar 20 anos até que ocorra um segundo surto. Apenas ocorre uma ligeira progressão da doença.

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Causas da EM

         Apesar de inúmeras investigações, ninguém sabe exactamente o que desencadeia a EM. Muitos factores têm sido considerados, mas as causas permanecem elusivas e ainda são desconhecidas.
Apesar de existir a hipótese que os vírus podem ser responsáveis pela EM, não existe nenhuma prova científica até agora que um vírus específico causa esta doença.
        Hoje em dia os investigadores estão convencidos que a EM é provavelmente causada por uma combinação de factores.


         Algumas pessoas parecem ser mais susceptíveis à EM pela sua predisposição genética. Muito provavelmente, a doença em si não é transmitida hereditariamente, mas existirá alguma predisposição nos genes. Quando estes indivíduos encontram factores ambientais desconhecidos específicos, a EM pode ser desencadeada. Estudos envolvendo gémeos também apoiam a ideia de factores ambientais no desenvolvimento da EM. Existem diferenças na susceptibilidade entre várias raças (figura 11). Os Europeus do Norte, por exemplo, são afectados mais frequentemente do que as pessoas de raça negra em África. A frequência da EM entre os homens afro-americanos nos EUA é superior à verificada entre os negros em África, mas inferior à dos homens caucasianos nos Estados Unidos da América.

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Quem contrai EM?

Frequência e distribuição geográfica

        A EM afecta mais de 400.000 pessoas na América do Norte, aproximadamente 500.000 indivíduos na Europa e 2,5 milhões de pessoas no mundo. A frequência da EM varia nas diferentes regiões do mundo, sendo mais comum em áreas mais desenvolvidas economicamente. Existem fortes evidências de diferenças geográficas na susceptibilidade (figura 12a). A EM tem uma maior frequência (i.e. número de pessoas numa população com EM) nas zonas temperadas e é menos comum entre pessoas residentes em climas quentes. Muitos estudos suportam a existência de um gradiente na frequência da EM que aumenta com a distância ao equador, tanto no hemisfério norte como no sul.

Na Europa, por exemplo, aumenta do Sul para o Norte.

 

Idade de ínicio


       A EM ocorre geralmente nas pessoas com idades entre os 20 e os 40 anos, apesar de poder iniciar-se numa idade anterior ou posterior. A idade média de início da doença são os 30 anos. Independentemente das diferenças na frequência da EM, a idade específica de incidência parece ser a mesma em todo o mundo.

 

Rácio entre sexos

 

Muitas doenças auto-imunes, tais como a EM, têm uma distribuição entre sexos desiquilibrada e afectam as mulheres mais frequentemente do que os homens. Isto também é verdade na EM, em que as mulheres têm o dobro da probabilidade de contrair a doença (figura 13).

 


Transmissão hereditária


A questão de se a EM é ou não transmitida hereditariamente é um assunto importante, dado que a doença afecta muitas vezes mulheres jovens numa idade em que estão a planear formar uma família. O risco para os filhos (de um pai com EM) de também contrair a EM, é apenas ligeiramente mais elevado quando comparado com a população em geral. Se apenas um dos pais tiver EM, o risco é muito baixo.

 

Gravidez e EM

 

       A gravidez não parece aumentar o risco total de ocorrência de surtos. Está descrito que a taxa de surtos decresce durante a gravidez, mas aumenta novamente nos primeiros meses após o parto. Durante a gravidez pode ser necessário interromper a toma de alguns medicamentos para a EM e portanto, é recomendável procurar ajuda profissional do seu neurologista para discutir as terapêuticas mesmo antes de tentar engravidar.

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Tratamento

O tratamento adequado para a Esclerose Múltipla começa por manter um bom estado de saúde geral, prosseguir uma vida activa, uma alimentação equilibrada, repouso suficiente, de modo a sentir-se bem, mantendo a forma física e psíquica.

É também fundamental um programa de exercícios e ginástica muscular, na medida em que, ajuda os doentes a recuperarem dos surtos e a diminuir a tensão muscular. Exercícios de treino do equilíbrio, podem ajudar os doentes a tornarem-se mais auto-confiantes.

 

Em virtude da evolução da Esclerose Múltipla ser imprevisível, as necessidades e as capacidades variam, assim uma reavaliação médica periódica é fundamental. Os medicamentos são também imprescindíveis, nomeadamente os relaxantes musculares, pois permitem reduzir a tensão dos músculos e melhorar os movimentos.

 

Para além das consequências e limitações a nível físico, inerentes à doença, são também muitas as psicológicas, para o doente e consequentemente, para o cuidador, depressões e ansiedade são as mais frequentes. O grau de dependência que a Esclerose Múltipla desencadeia, assim como as mudanças comportamentais da doença, são factores que esgotam bastante os familiares e cuidadores do doente de Esclerose Múltipla, levando muitas vezes a situações de solidão absoluta. É de salientar, que a taxa de divórcios em famílias em que um dos cônjuges é doente é bastante elevada. Neste sentido a psicoterapia individual e de grupo, assim como o aconselhamento, ajudam bastante para enfrentar todas as limitações causadas pela doença.

 

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Conclusão

A Esclerose Múltipla continua a ser um dos mistérios da medicina, não é uma doença evitável ou curável, embora neste momento já existam medicamentos que, apesar de não curarem, modificam de forma benéfica a sua evolução.

No entanto, a ciência assenta em algumas teorias que tentam explicar quais as origens desta doença. Para muitos é considerada uma doença auto-imune. O nosso organismo tem um sistema de defesa - sistema imunitário - que destrói os vírus e as bactérias, e se este sistema se "engana e começa a atacar as células do próprio corpo surge um fenómeno chamado reacção auto-imune. Neste caso, a lesão da mielina surge por haver produção de auto-anticorpos que a atacam. 

Outros defendem que a Esclerose Múltipla é determinada por factores ambientais e genéticos, na medida em que, é uma doença mais frequente nos países com clima temperado e fresco do que nos países de clima quente, e afecta em especial as pessoas de raça branca.

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